segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Enade: jornais 'inventam fatos' e 'manipulam notícias'

Os estudantes de Jornalismo que realizaram a prova do Enade neste domingo (08/11) depararam com críticas à atuação da imprensa. Uma das questões discursivas dizia que os jornais “inventam fatos” e “manipulam notícias”. A prova pedia que os estudantes comparassem as linhas editoriais de jornais populares com os de grande porte. O texto da pergunta dizia o seguinte:

“Jornal popular, geralmente criticado por ser sensacionalista, inventar e/ou omitir fatos e preocupar-se apenas em faturar, aumentar a tiragem, publicar notícias irresponsáveis, atrair e agradar certo público-leitor. (...) Jornal de grande porte, considerado mais responsável, por vezes esquece o verdadeiro interesse pela informação, manipulando a notícia em favor de outros interesses empresariais, financeiros, comerciais, etc. E, assim, pode incorrer em muitos erros”, dizia a questão número 38.

A jornalista recém-formada Rafaella Javoski foi uma dos cerca de 76 mil estudantes de Jornalismo convocados para realizar a prova. Para ela, a questão é “estranha”. “Eu acho que existem jornais populares, que são sensacionalistas. Mas que inventam fatos, não. Eu achei estranha a pergunta”, diz.

Para o professor Nilson Lage, a pergunta é uma “idiotice” e uma “generalização típica de quem não é do ramo”. “É semelhante a: políticos são ladrões; advogado de bandido é bandido (...). É outra idiotice do tipo ‘se algum é, então todos são’”, avalia.

Lage não poupou críticas à prova aplicada pelo Ministério da Educação (MEC). Em sua opinião, as 12 primeiras questões “são pura imposição ideológica”. “Cada uma das afirmações dadas como corretas representa uma posição da esquerda reacionária que pretende dominar a consciência das pessoas reproduzindo métodos nazistas e stalinistas: punir quem não concorda, até que o sujeito aceite para não ser punido e termine aderindo. O método do açúcar e chicote”, avalia.

Outra pergunta polêmica foi a que questionava as críticas feitas pela imprensa sobre a declaração do presidente Lula, que classificou a crise econômica como uma “marolinha”. Entre as opções de resposta estavam “irresponsabilidade” e “manipulação política da mídia”. A resposta correta era “livre exercício da crítica”.

O MEC ainda não se manifestou sobre o conteúdo das questões, mas, no Manual do Enade 2009, o ministério informa que o exame é desenvolvido com o apoio técnico de comissões compostas “por especialistas de notório saber, atuantes na área, responsáveis pela determinação das competências, conhecimentos, saberes e habilidades a serem avaliados”.


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Rádio de São Paulo é suspeita de passar trote de “falso Lula”

A Rádio Metropolitana FM, de São Paulo, é apontada como suspeita de passar um trote para a rádio australiana SBS, que gravou uma entrevista com um homem que dizia ser o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na última segunda-feira (02/11), uma pessoa que se identificou como assessor de imprensa da Presidência da República enviou um e-mail para as rádios SBS e Montreal oferecendo uma entrevista com Lula sobre os esforços do governo para garantir a segurança na Olimpíada de 2016.

A jornalista Beatriz Wagner, da SBS, se interessou pela possibilidade e chegou a gravar a conversa com homem que dizia ser o presidente. A entrevista não chegou a ir ao ar. O áudio de um trecho da entrevista, gravada por Beatriz, está disponível na página da SBS.

Internautas apontaram indícios
Desconfiada do caso, a jornalista conversou com o colega Luciano Borges, colunista do Terra, responsável pelo blog do Boleiro, para que a ajudasse a investigar o incidente. Após postar o caso em seu blog, internautas disseram que se tratava de uma brincadeira do programa humorístico da rádio Metropolitana, o Chupim.

No YouTube (aqui) é possível ouvir um trote do programa dado na rádio Nacional de Angola. "A conversa desse vídeo tem o mesmo teor do e-mail do suposto assessor de Lula", diz Borges ao se referir ao tema da entrevista, sobre a segurança do Rio nos Jogos Olímpicos de 2016.

A Rádio Metropolitana informou que não vai se pronunciar.

O caso do trote seguiu para o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, o GSI, que investigará de onde partiu a entrevista. A assessoria de imprensa da Presidência da República não quis comentar o incidente.


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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Oposição tenta derrubar PEC do diploma, mas votação será no dia 11/11

A Proposta de Emenda à Constituição 386/2009, que restabelece a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, deverá ser votada na próxima quarta-feira (11/11) pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ). Na reunião de hoje (04/11), a oposição apresentou requerimento que pedia a retirada do projeto da pauta, mas ele foi derrubado por 29 votos contra 10.

“A expectativa é positiva. A votação do requerimento serviu como uma espécie de prévia. O importante é que ele foi rejeitado e o debate foi esgotado. Não cabe mais adiamento”, explica o autor da proposta, deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

O relator da proposta na CCJ, deputado Maurício Rands (PT-RS), também espera que a votação aconteça na próxima reunião, mas informa que é necessário que um requerimento de inversão de pauta seja aprovado.

“A sinalização é que seja votada, mas nunca se sabe”, diz.

Caso a proposta seja aprovada, será formada uma Comissão Especial, que apresentará um relatório antes de a matéria ser apreciada pelo Plenário. Pimenta afirma que está trabalhando para que a PEC seja votada pela Câmara ainda este ano. Para Rands, “é difícil, mas não impossível”.


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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Pesquisa mostra que Lula está certo: imagem do Brasil no exterior é positiva

A favor do que garante o presidente Lula, a imagem do Brasil na imprensa internacional é positiva. Uma pesquisa feita pela Imagem Corporativa sobre o terceiro trimestre deste ano mostra que 85%, das 783 matérias analisadas, retrata positivamente o País. No último mês, Lula chegou a dizer que a imprensa nacional é “azeda” e “joga pra baixo”, enquanto que os veículos estrangeiros retratam positivamente o Brasil.

A pesquisa foi feita em 14 dos principais jornais do mundo, como Washington Post, Le Monde e China Daily. Segundo o estudo, focado nos cadernos de economia e política, fatos como a escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016, acordo militar firmado com a França, exploração de novas reservas de petróleo, foram importantes para a boa imagem do País.

De acordo com a pesquisa, os três jornais que dão mais destaque para o Brasil são: Financial Times (16%), Wall Street Journal (15%) e Clarín (13%).
A maioria das matérias coloca o País como um player internacional (26%) pelo relacionamento do Brasil com órgãos e representantes estrangeiros em reuniões como o G20 e Bric.

Comparado com o segundo trimestre, que teve 81% de avaliação positiva, a imagem do Brasil melhorou. Entretanto, alguns assuntos, como divergências comerciais entre Brasil e Argentina, o papel da ditadura brasileira na queda do presidente chileno Salvador Allende, e a devastação da floresta Amazônica e do cerrado, terem sido retratados como negativos para o País.

A imprensa internacional também destacou o Brasil como um bom lugar para investimentos. Mesmo quando o assunto era a crise em Honduras, o País foi retratado positivamente por 85% das reportagens. Sobre a gripe suína, a imprensa estrangeira não fez muitas citações ao Brasil, mas das que foram feitas, 53% eram positivas. A respeito da vitória da candidatura aos Jogos Olímpicos de 2016, 96% das matérias destacaram o aspecto positivo do fato.

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Redes sociais ajudam na cobertura da imprensa

Jornalistas participantes do debate “O que um jornalista precisa para se integrar à Era das Novas Mídias”, do 3º MediaOn, defenderam o uso das mídias sociais como uma forma de colaboração na cobertura. O painel foi formado por Tiago Dória, jornalista e editor de blog sobre cultura, web, tecnologia e mídia hospedado no IG ,e José Roberto Toledo, jornalista especializado em política e jornalismo de precisão. A discussão foi mediada por Carlos Drummond, coordenador do curso de jornalismo multimídia das Faculdades de Campinas (Facamp).

“No caso da prova do Enem, o Estadão descobriu o suspeito por meio do Orkut e Facebook, isso primeiro que a Policia Federal. O que mostra como é importante um jornalista fazer parte de uma rede social”, declarou Toledo.

O jornalista também disse que o Twitter é uma importante ferramenta para os jornalistas. “As pessoas colocam informações jornalisticamente relevantes lá”, defendeu Toledo, que ainda acrescentou. “O Twitter é como um garfo, você pode usar pra se alimentar ou para espetar alguém”.

Tiago Dória destacou que no uso das redes sociais deve haver uma cooperação entre jornalista e leitor. “É necessário levar as pessoas a conhecer melhor o mundo, mas fazer também com que elas te ajudem nessa missão”.

Dória também abordou a questão da quantidade de informação, do fácil acesso e da disputa do tempo dos leitores. Para ele, a receita do sucesso online vai além da parte operacional. “É preciso dominar os conceitos e não as ferramentas. Elas são um meio para ir a algum lugar. Hoje é o Twitter, amanhã é outra ferramenta. As ferramentas vão e voltam e os conceitos ficam”, declarou.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Estudantes participam de mobilizações e debates em defesa do diploma

Estudantes e professores de Jornalismo, profissionais de comunicação, parlamentares e várias lideranças preparam, para o dia 24 de novembro, a realização de um grande manifesto público e cívico em defesa do diploma, da ética e da melhor qualificação para o exercício da profissão. Em encontro com estudantes de Jornalismo na Faculdade Pinheiro Guimarães, na semana passada, a presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, Suzana Blass, defendeu o restabelecimento da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.

A mobilização que está sendo preparada para o dia 24 de novembro começará às 9 horas, em frente à Reitoria da Universidade Federal da Bahia. “Não é verdade, como defendeu a maioria dos ministros do Supremo, que a exigência do diploma fere o princípio constitucional da liberdade de expressão. Ora, nenhum cidadão tem sua liberdade de expressão cerceada no Brasil. Ao contrário, toda a mídia está com seus espaços escancarados para a livre manifestação de opinião. Aí estão os jornais, com a publicação de cartas, artigos, etc. Aí estão os microfones das emissoras de rádio. Aí estão as emissoras de TV, os blogs”, sustenta o jornalista Ipojucã Cabral, diretor da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), uma das entidades que preparam o ato. “O que defendemos, sim, é que, para o exercício cotidiano do Jornalismo, nas redações, como profissão, seja obrigatória a formação superior, o diploma”, completa.

Uma das propostas em debate na Bahia é a criação do “Selo Azul”, a ser entregue às empresas de comunicação que só contratem, para seus quadros de redação, jornalistas com formação superior em curso de Jornalismo. Isso, enquanto o Congresso não aprovar pelo menos uma das duas PECs que tratam da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo.

“Jornalista se forma com teoria, prática e ética”, diz presidente do Sindicato
No encontro com estudantes de Jornalismo na Faculdade Pinheiro Guimarães, a presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, Suzana Blass, falou sobre a importância de se restabelecer a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Aberto aos estudantes das demais faculdades, o debate fez parte de um especial sobre a história do diploma para jornalista, que foi produzido pelo programa Boca Livre.

Suzana falou sobre as atividades que a FENAJ e os Sindicatos da categoria desenvolvem em todo o País para sensibilizar a população e a classe política sobre o assunto. No encontro, transmitido pela rádio web da Rede FPG, a presidente do Sindicato disse que a regulamentação da profissão de jornalista não limita o acesso aos meios de comunicação porque quase metade do espaço editorial dos jornais é escrito por pessoas que não são jornalistas, mas que emitem opinião por meio de colunas e artigos assinados.

Na opinião de Suzana, a formação superior é um critério democrático para o acesso à profissão, enquanto a outra opção seria autocrática, ou seja, o dono de um jornal ou TV decidindo quem vai ou não ser jornalista. "A prática profissional, o jornalismo, deve ser exercido por quem se habilita na teoria, além de dispor de técnicas específicas e de uma ética determinada", esclareceu.

Apoio
O Conselho Federal de Serviço Social realizou, nos dias 6 a 9 de setembro, em Cuiabá (MT), seu 38º Encontro Nacional, com participação dos Conselhos Regionais de Serviço Social e delegados eleitos em assembleias em todos os Estados. No evento, foi aprovada posição contrária à decisão do STF que extinguiu a exigência do diploma para o exercício do Jornalismo.

Com informações da Associação Bahiana de Imprensa e do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Comissão aprova obrigatoriedade de seguro para jornalista em áreas de conflito

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou na última semana o Projeto de Lei 5177/05, do deputado Celso Russomanno (PP-SP), que obriga as empresas jornalísticas a contratar seguro de vida, com cobertura nos casos de riscos de morte e invalidez, para jornalistas profissionais que atuam ou forem transferidos para áreas de conflito.

A proposta inicial de Russomanno previa a cobertura de mil salários mínimos (R$ 465 mil), mas a quantia foi revista pelo deputado Geraldo Resende (PMDB-MS), relator do Projeto, que estipulou o valor mínino em 250 salários mínimos (R$ 116.250, em valores atuais). Com a diminuição do valor, o texto foi aprovado.

Para Resende, a alta quantia da proposta inicial prejudicaria algumas empresas de contratar jornalistas, principalmente após o fim da exigência de diploma para o exercício da profissão, decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Em negociação com entidades de comunicação de todo o País definimos o valor. Algumas empresas não têm nenhuma condição de arcar com esse seguro”, explica Resende sobre a quantia prevista inicialmente no Projeto.

O deputado Celso Russomanno, que também é jornalista, afirma que apesar da queda do valor inicial do seguro, a aprovação já é um avanço para a categoria. “Na verdade não é o ideal, mas já é um avanço, porque houve uma pressão muito grande das empresas de comunicação nos deputados. As famílias dos jornalistas que trabalham em países em conflito precisam ter o mínimo de garantia”, declarou.

O projeto ainda será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Mas, de acordo com Russomanno, essas são etapas mais simples. “O mais difícil já passou, agora essas etapas são mais fáceis”, concluiu.

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Sobre o blog

O Comunicação em Rede quer contribuir para que estudantes, profissionais, pesquisadores e todas as pessoas interessadas no tema e, principalmente em Jornalismo, encontrem no Comunicação em Rede um espaço a fim de trocar experiências, conhecimentos, mensagens e construir relacionamentos duradouros no campo da Comunicação.

Sobre a autora

Karolina Britto trabalha como assessora de imprensa e especialista em assessoria de comunicação. Também realiza trabalhos como jornalista freelancer, designer gráfico de materiais institucionais e é jornalista voluntária no projeto Bem-me-quer do Instituto dos Direitos da Criança e do Adolescente de Brasília, além de gerenciar o conteúdo do blog Comunicação em Rede.

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